Esta tarde, enquanto eu voltava para casa, me concentrei em observar a paisagem da cidade que via passar pela janela do ônibus, e dentre casas trancadas, pessoas correndo da chuva e estabelecimentos comerciais fechados avistei uma senhora (de uns 40 anos) sentada na beira da calçada se "protegendo" da chuva com papelão e sacolas plásticas.
Me detive por alguns segundos naquela imagem e não pude deixar de lembrar das inúmeras vezes que passei perto de outras pessoas nessas condições precárias e nunca pude fazer nada além de dar alguma esmola e um sorriso amigável (aqueles que a gente dá quando sabe que a pessoa tá fodida lamenta a situação de alguém).
Acho que demorei mais do que devia no devaneio porque, de repente, a mulher virou de costas para mim meio aborrecida como se estivesse tentando se esconder ou fazer questão de me ignorar, "exatamente como devem fazer com ela", pensei. Virei o rosto para o outro lado e fiquei imaginando a dor, a fome e a solidão dessa gente que é mais pobre e mais miserável que a maioria...
Aí lembrei do trecho final da música "Faroeste Caboclo", na qual Renato Russo canta:
"E João não conseguiu o que queria / quando veio pra Brasília com o diabo ter / ele queria era falar com o presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer..."
É... Acho que isso é algo que todos queremos... E, por esse motivo, não critico os programas assistencialistas fornecidos aos pobres (sim, aos pobres) pelo governo petista (e pagos com o dinheiro público, ou seja, com o nosso dinheiro).
As "n" bolsas criadas e concedidas às pessoas em condições sub-humanas de vida (porque alguém que recebe menos de um salário mínimo por mês não vive, sobrevive) podem até ser consideradas esmolas e é lógico que NÃO SÃO a solução! Mas é uma maneira de minimizar o sofrimento de quem não desfrutou de uma vida e educação de qualidade.
"Qual minha profissão? Sou ajudante de pedreiro, diarista e babá nas horas vagas"
Charge escrita provavelmente por um coxinha que acha que todos os pobres são vagabundos
como ele que nunca precisou vender o almoço para comprar a janta ^^
Apenas egoístas e coxinhas acreditam que uma criança que nasceu na pobreza extrema vai conseguir se dar bem na escola sabendo que quando chegar em casa não vai encontrar pão, leite, água mineral, carne, ovos, nada e nem dinheiro pra comprar... A Educação é a base de tudo na vida, mas ela só funciona quando está bem sustentada no tripé Estado, Escola e Família. Se alguma dessas bases estiver defeituosa, pode ter certeza que o resultado será o fracasso do estudante e do próprio sistema educativo.